{"provider_url": "https://www.chacara.mg.leg.br", "title": "Aspectos Naturais", "html": "<p>O ambiente natural de Ch\u00e1cara configura-se por territ\u00f3rio pertencente \u00e0 bacia do rio Para\u00edba do Sul, caracterizado pela abund\u00e2ncia de recursos h\u00eddricos. Mesmo com a sua cobertura vegetal bastante devastada a presen\u00e7a de in\u00fameras nascentes merece destaque, em particular aquelas referentes ao rio C\u00e1gado. Atrav\u00e9s da lei municipal n\u00b0597 de 4 de abril de 2003, o munic\u00edpio passou a integrar o Cons\u00f3rcio Intermunicipal de recupera\u00e7\u00e3o ambiental da Bacia do rio C\u00e1gado, uma organiza\u00e7\u00e3o c\u00edvil.</p>\r\n<p>O clima do munic\u00edpio de Ch\u00e1cara pode ser classificado como tropical de altitude, caracterizado por dupla estacionalidade clim\u00e1tica, com duas esta\u00e7\u00f5es anuais bem definidas com ver\u00f5es chuvosos e invernos secos; a temperatura m\u00e1xima anual do munic\u00edpio \u00e9 em torno de 27,9\u00b0 C e as m\u00ednimas em torno de 15,3\u00b0C, sendo o ind\u00edce pluviom\u00e9trico 1581mm/ano. O munic\u00edpio est\u00e1 inserido em um dom\u00ednio morfoclim\u00e1tico classificado por Ab\u2019Saber como Mares de Morros, ou seja, o relevo local \u00e9 bastante irregular com o predom\u00ednio do relevo montanhoso (66%), seguido do relevo ondulado (28%) com pouquiss\u00edmas \u00e1reas planas (apenas 6%).</p>\r\n<p>Ch\u00e1cara abriga remanescentes do bioma Mata Atl\u00e2ntica, mesmo com a sua cobertura vegetal bastante devastada, como j\u00e1 dito. Este bioma, atualmente um dos mais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o, \u00e9 protegido pelo decreto federal n\u00b0750 de 10 de fevereiro de 1993. Embora extremamente degrado apresenta alto grau de endemismo, da\u00ed a grande import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dos resquic\u00edos do bioma. O desmatamento generalizado das coberturas florestais nos conduz ao processo hist\u00f3rico de coloniza\u00e7\u00e3o da Zona da Mata, especialmente a partir do s\u00e9culo XIX, devido \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da cafeicultura e, em seguida, da pecu\u00e1ria extensiva. Os resqu\u00edcios isolados da Floresta Atl\u00e2ntica encontram-se em diversos n\u00edveis de degrada\u00e7\u00e3o, e suas bordas s\u00e3o, freq\u00fcentemente, afetadas pelo desmatamento e por queimadas e cortes. Os fragmentos florestais remanescentes est\u00e3o envoltos por extensos campos de gram\u00edneas, cobertura vegetal mais abrangente da regi\u00e3o, utilizados como pastagem para gado. Essas gram\u00edneas s\u00e3o comumente mantidas por queima peri\u00f3dica, anual. Observa-se que muitas \u00e1reas de pastagens est\u00e3o abandonadas e v\u00eam sendo re-colonizadas por vegeta\u00e7\u00e3o arbustiva, a qual pode evoluir para pequenas matas secund\u00e1rias (capoeiras). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coberturas vegetais antr\u00f3picas, al\u00e9m das pastagens, ocorrem diversos tipos de cultivos agr\u00edcolas e bosques de reflorestamento comercial que utilizam, principalmente esp\u00e9cies de eucaliptos e de pinus. Os campos antr\u00f3picos de modo geral, e particularmente aqueles formados por capim gordura (Melinis minutiflora), sob um clima estacional (mais de 60 dias secos) e mantidos pelo fogo anual, poder\u00e3o estar hoje diante de um processo de degrada\u00e7\u00e3o dos solos e caminhando para a \u201csavaniza\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica\u201d (onde a regenera\u00e7\u00e3o, certamente, n\u00e3o possa mais fazerse naturalmente, mas, apenas, atrav\u00e9s do replantio de esp\u00e9cies adaptadas ao ambiente). A altern\u00e2ncia de um per\u00edodo seco prolongado com um per\u00edodo de chuvas intensas e calor sobre um solo pouco protegido imp\u00f5e a estes solos um processo acelerado de eros\u00e3o e lixivia\u00e7\u00e3o, com r\u00e1pida altera\u00e7\u00e3o de suas caracter\u00edsticas. As \u00e1reas mais preservadas no munic\u00edpio consistem em \u00e1reas de declividades altas, de dif\u00edcil ocupa\u00e7\u00e3o, estas localizadas a nordeste do munic\u00edpio, na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do C\u00e1gado, Boa Vista e Desengano. Tamb\u00e9m a sudoeste, na divisa com o munic\u00edpio de Juiz de Fora, estende-se ampla cobertura remanescente, nas terras da Fazenda Floresta. Preponderam na zona rural do munic\u00edpio extensas \u00e1reas de pastagem, enquanto na zona urbana cerca de 30% apenas \u00e9 caracterizada pela presen\u00e7a de matas. Vale mencionar que o per\u00edmetro urbano caracteriza-se por apenas 30% de ocupa\u00e7\u00f5es em termos de conjuntos edificados com preponder\u00e2ncia de \u00e1reas rurais.</p>\r\n<p>A \u00e1rea da Zona da Mata Mineira situa-se no dom\u00ednio central do planalto da Serra da Mantiqueira, apresentando altitude m\u00e9dia de 600 m. As cotas mais baixas apresentam cerca de 240 m, e as cotas mais altas atingem em torno de 1100 m. Esta por\u00e7\u00e3o do Planalto da Mantiqueira possui um relevo constitu\u00eddo por pequenas serras alongadas na dire\u00e7\u00e3o nordeste, que possuem segmentos de encostas \u00edngremes, al\u00e9m de extensos dom\u00ednios de colinas convexas de baixa amplitude altim\u00e9trica e encostas mais suaves. Ainda no tocante ao Planalto da Mantiqueira, este apresenta um espesso manto de altera\u00e7\u00e3o intemp\u00e9rica, ao qual associam-se v\u00e1rias ocorr\u00eancias minerais de origem superg\u00eanica (bauxita, caulim, saibro). O relevo de colinas, com espessa cobertura coluvial, representa as por\u00e7\u00f5es mais dissecadas do Planalto. Destaca-se no munic\u00edpio a din\u00e2mica resultante da disseca\u00e7\u00e3o de encostas por processos areolares que acompanham o entalhe da drenagem fluvial. A classifica\u00e7\u00e3o da disseca\u00e7\u00e3o, baseada no aprofundamento das incis\u00f5es de drenagem no munic\u00edpio \u00e9 avaliada como fraca a moderada.</p>\r\n<p>Nos vales fluviais da Bacia do Rio Para\u00edba do Sul temos a morfologia de fundo encaixado, onde \u00e9 comum a presen\u00e7a de corredeiras e cachoeiras, ou de fundos aplainados, onde ocorrem os alv\u00e9olos sedimentares. Estes alv\u00e9olos est\u00e3o relacionados \u00e0 sedimenta\u00e7\u00e3o, de idade quatern\u00e1ria, das plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00e3o e terra\u00e7os fluviais, que se interdigitam com a base das rampas coluviais. Destacam-se, como principais alv\u00e9olos sedimentares, os dep\u00f3sitos do alto curso do Rio Paraibuna, de dire\u00e7\u00e3o noroeste, do C\u00f3rrego S\u00e3o Pedro e Ribeir\u00e3o Divino Esp\u00edrito Santo, em segmentos do Rio C\u00e1gado, al\u00e9m dos diversos alv\u00e9olos de dire\u00e7\u00e3o nordeste situados entre Bicas, S\u00e3o Jo\u00e3o Nepomuceno, Goian\u00e1, Rio Novo, Santana e Vargem Grande, entre outros. Os solos do munic\u00edpio est\u00e3o classificados em: Latossolo Vermelho-Amarelo \u00e1lico, Latossolo Vermelho-Amarelo distr\u00f3fico, Podzolico Vermelho-Amarelo \u00e1lico e Podzolico Vermelho-Amarelo distr\u00f3fico e o Cambissolo \u00e1lico. Quanto ao Latossolo Vermelho Amarelo compreende solos minerais, n\u00e3o hidrom\u00f3rficos com horizonte B latoss\u00f3lico, apresentando rela\u00e7\u00e3o molecular KI baixa, inferior a 1,9 de colora\u00e7\u00e3o variando do vermelho ao amarelo e gamas intermediarias. S\u00e3o normalmente muito profundos ou profundos, com seq\u00fc\u00eancias de horizontes A, B e C e com transi\u00e7\u00f5es entre difusas e graduais, acentuadamente a bem drenados. Em sua maior parte estes solos da \u00e1rea s\u00e3o \u00e1licos, ou seja, com percentagem de satura\u00e7\u00e3o com alum\u00ednio superior a 50%, atingindo at\u00e9 valores pr\u00f3ximos a 95%. Os solos distr\u00f3ficos, com satura\u00e7\u00e3o de bases inferior a 50%, ocupam tamb\u00e9m posi\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia na \u00e1rea, enquanto os eutr\u00f3ficos n\u00e3o foram identificados. Apresentam avan\u00e7ado est\u00e1gio de intemperismo, com predomin\u00e2ncia de minerais de argila do tipo 1: 1, baixa quantidade de minerais prim\u00e1rios e baixa reserva de elementos nutritivos para as plantas. Estes solos, apesar do relevo bem movimentado que possuem, s\u00e3o bastante utilizados com pastagens, culturas de caf\u00e9 e milho. J\u00e1 o Podzolico Vermelho-Amarelo compreende solos minerais com horizonte B textural, n\u00e3o hidrom\u00f3rficos, normalmente com argila de atividade baixa (Tb), usuamente profundos, com seq\u00fc\u00eancia de horizontes A, B e C e s\u00e3o bem a moderadamente drenados. Estes solos apresentam horizonte A moderado.A textura do horizonte A \u00e9 m\u00e9dia a muito argilosa, enquanto a do horizonte B \u00e9 franco-arenosa ou mais fina, ocorrendo inclusive solos com mudan\u00e7a textural abrupta. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 satura\u00e7\u00e3o de bases, encontramos na \u00e1rea, pela ordem de extens\u00e3o geogr\u00e1fica que ocupam, solos \u00e1licos (satura\u00e7\u00e3o co alum\u00ednio maior 50%) e distr\u00f3ficos(satura\u00e7\u00e3o com alum\u00ednio menor 50%). Est\u00e3o situados em \u00e1reas de relevo predominante forte ondulado,ocorrendo tamb\u00e9m em menor propor\u00e7\u00e3o o relevo montanhoso. Com rela\u00e7\u00e3o ao Cambissolo \u00e1lico, compreende solos minerais com horizonte B c\u00e2mbico ou incipiente, n\u00e3o hidrom\u00f3rficos e com pouca diferencia\u00e7\u00e3o de textura do horizonte A para o horizonte B. S\u00e3o solos com certo grau de evolu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o suficiente para meteorizar completamente minerais prim\u00e1rios de f\u00e1cil intemperiza\u00e7\u00e3o como feldspatos, micas e outros, n\u00e3o possuem acumula\u00e7\u00e3o significativa de \u00f3xidos de ferro, h\u00famus e argilas. Apresentam seq\u00fc\u00eancia de horizontes A, B e C, ocorrendo com mais freq\u00fc\u00eancia o tipo de horizonte A moderado. Possuem textura m\u00e9dia ou argilosa, s\u00e3o bem a moderadamente drenados e rasos a profundos. S\u00e3o \u00e1licos, com satura\u00e7\u00e3o com alum\u00ednio maior que 50%. Ocorrem nas regi\u00f5es serranas em relevo montanhoso e escarpado e nos planaltos em relevo menos movimentado, forte ondulado. De um modo geral, estes solos n\u00e3o s\u00e3o utilizados agricolamente, apresentando como fatores limitantes ora o relevo acentuado ora o excesso de alum\u00ednio. Como uso mais adequado recomendam-se pecu\u00e1ria extensiva e reflorestamento ou ainda como \u00e1reas para preserva\u00e7\u00e3o de ambientes ecol\u00f3gicos.</p>", "author_name": "", "version": "1.0", "author_url": "https://www.chacara.mg.leg.br/author/adm", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal", "type": "rich"}